DLM — Deste Lado do Mundo
Cada lado do mundo,
a sua história.

A DLM (Deste Lado do Mundo) é uma pequena estrutura de criação ancorada em Viseu, Portugal. Há cerca de duas décadas que faço produção audiovisual, edição e design — sempre em rede com produtores locais, e sempre com a metodologia que aprendi a chamar Conceção Integrada: linguagens, pessoas e territórios a trabalhar juntos.

Cola, linguagem e memória

Produzimos audiovisual, editamos, desenhamos. Mas antes de qualquer técnica vem a escuta — chegar a um sítio, estar com as pessoas, deixar o trabalho encontrar a forma que lhe pertence. A DLM nasceu desta maneira de fazer, e continua assim. O trabalho começa no encontro, não na ideia.

Pelo caminho ficaram dezenas de micro-documentários com artesãos, agricultores e comunidades. Não são apenas registos. São pedaços de identidade e memória coletiva que continuam vivos onde foram feitos.

O site dlmundo.pt está em atualização.

Este espaço transitou recentemente de domínio e está em reestruturação completa, para refletir a DLM tal como é hoje. Um sítio mais vivo, com gente, projetos e histórias. Nas próximas semanas publica-se o site completo.

Criar com e nunca para.

A Conceção Integrada, para mim, não é técnica nem método fechado. É uma forma de existir no trabalho criativo. Cada projeto começa no encontro real com pessoas e lugares, atravessa várias linguagens (imagem, palavra, design, som, às vezes barro ou comida) e produz qualquer coisa que pertence ao território onde foi feita. A DLM não chega com respostas — chega com escuta. É instrumento na sinfonia que já existe na comunidade, não música nova imposta de fora.

Esta maneira de pensar não nasceu numa sala de aula. Nasceu na Suíça, na escola primária, num modelo pedagógico de raiz Pestalozziana onde costura, dança, teatro, fotografia, informática e xadrez conviviam como se fosse a coisa mais natural do mundo — porque é. Aprofundou-se mais tarde na licenciatura em Design de Equipamento (EUAC, Coimbra), onde a Conceção Integrada tem nome académico. E consolidou-se em duas décadas de prática com artesãos, agricultores e comunidades, dentro e fora de Portugal.

Por isso gosto de dizer que a educação integrada não é invenção europeia, nem mérito de um autor. É condição original das civilizações — está em Pitágoras como está em Da Vinci, como está nos quilombos do Maruanum ou nas comunidades Bijagó. Esquecemo-nos disso e depois redescobrimo-lo. A DLM é, no fundo, um pequeno exercício de não esquecer.

No plano teórico, este trabalho dialoga com Ezio Manzini (design distribuído e redes locais), Donald Schön (reflexão-em-ação), Raymond Cole (sustentabilidade como relação) e Edgar Morin (pensamento complexo). E não pode existir sem Paulo Freire, Ailton Krenak e Nego Bispo, que nos lembram que tudo isto sempre existiu — só não tinha sido escrito por quem habitualmente escreve.

Como se manifesta na prática

01

Escuta

O trabalho começa antes da câmara. Começa com presença, paciência e silêncio. É o silêncio que abre espaço para a confiança aparecer.

02

Articulação

Fotografia, vídeo, design, palavra escrita. Às vezes cerâmica, gastronomia, qualquer coisa que faça sentido naquele contexto. As linguagens combinam-se conforme o lugar pede.

03

Pertença

O resultado é sempre das pessoas e dos territórios. A DLM é instrumento — não autor. A sinfonia já existe antes de chegarmos.

O que produzimos

Audiovisual, editorial e design. Não como serviços separados, mas como linguagens que servem cada projeto. O que muda é o contexto — a forma encontra-se pelo caminho.

Audiovisual

Documentários e micro-documentários, registo de processos, narrativas de território. A câmara como ferramenta de escuta e de memória — não como julgamento.

Editorial

Livros, publicações, conteúdos. A palavra escrita como prolongamento do trabalho de campo e do olhar.

Design

Identidade visual, comunicação, plataformas digitais. A forma vem do conteúdo, do contexto, das pessoas. Nunca antes.

Algumas referências de trabalho

2012–hoje
Só Sabão | Amor Luso

Marca de cosmética artesanal nascida da DLM e do trabalho com produtores locais. Cada produto integra ingredientes, mãos, ilustração e materiais do território — máxima sustentabilidade enquanto ecossistema de relações. Não é apenas um produto: é a Conceção Integrada a funcionar, todos os dias, há mais de uma década.

2012–2014
Fronteiras Urbanas

Documentário e livro. Uma das peças de referência da prática audiovisual e editorial da DLM — onde imagem, texto e território se cruzam num mesmo gesto. Ainda é o trabalho a que mais regresso quando quero explicar a alguém o que é, afinal, o "deste lado do mundo".

Continuado
Micro-documentários comunitários

Dezenas de pequenos registos com artesãos, agricultores e comunidades em Portugal. Trabalho de campo continuado, feito devagar, com proximidade. Muitos destes registos viraram parte da identidade dos lugares onde foram feitos — e isso é a única medida que me importa.

Um terreno fértil, não uma agência

A DLM está formalmente ancorada num Empresário em Nome Individual e funciona como rede colaborativa de produtores locais. É uma estrutura leve, propositadamente leve, para que possa receber parcerias reais sem burocracia a mais.

Não somos uma agência nem uma empresa convencional. Gosto de pensar a DLM como terreno fértil — um lugar onde pessoas, projetos e ideias possam aparecer e ganhar raiz. Uma pequena Amazónia, se me deixarem o sonho. Cada encontro deixa algo que pertence ao sítio onde aconteceu.

Vítor Gabriel dos Santos Rodrigues

Designer de Equipamento pela EUAC (Escola Universitária das Artes de Coimbra). Antes disso, escola primária na Suíça, num modelo pedagógico de raiz Pestalozziana — e isso ficou. Há vinte e tal anos que ando entre o design, o audiovisual, a fotografia, o trabalho com comunidades e a produção editorial. Sempre a recusar a especialização fechada.

A DLM existe desde então como prolongamento natural deste percurso. Duas décadas depois, a maneira de fazer é a mesma — mais madura, mais enraizada, mais aberta. E ainda em construção, todos os dias.

Cola, linguagem e memória

Este foi o posicionamento original da DLM. Continua a fazer sentido. Somos a cola entre linguagens, entre pessoas, entre tempos. O fio que une o que já existe — sem o tentar substituir.

A DLM existe também para mostrar que é possível criar de outra maneira: em rede, com qualidade, com ética, com enraizamento local. Fora dos centros, sem abdicar do rigor. Não como exceção heroica — como prática quotidiana, possível, replicável.

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