Conceção integrada
Não queremos fazer nada teórico ou com qualquer complexidade, contudo há sempre uma lógica possível. Neste contexto de explicar os processos, surge a metodologia conceção integrada, na qual podemos acontecer… A conceção integrada, para o [DLM], não é uma técnica nem um método fechado. É uma forma de existir no trabalho criativo. Cada projeto começa no encontro real com pessoas e lugares, atravessa várias linguagens (imagem, palavra, design, som, às vezes barro ou comida) e produz qualquer coisa que pertence ao território onde foi feita. A [DLM] não chega com respostas, chega com escuta (todos os sentidos despertos e o coração aberto). E acontece como um instrumento na sinfonia que já existe na comunidade, não uma música nova…
Os conceitos associados à conceção integrada não são invenção europeia, nem mérito de um autor. É condição original das civilizações, está em Pitágoras como está em Da Vinci, como está nos quilombos do Maruanum ou nas comunidades Bijagó. Esquecemo-nos disso e depois redescobrimo-lo. A [DLM] é, no fundo, um exercício de não esquecer a nossa presença e pertença na natureza.
No plano teórico, existem sempre diálogos com os conceitos desenvolvidos por Ezio Manzini (design distribuído e redes locais), Donald Schön (reflexão-em-ação), Raymond Cole (sustentabilidade como relação) e Edgar Morin (pensamento complexo). E, graças a pessoas que surgem em projetos do [DLM], vêm com novas energias e cosmovisões de Paulo Freire, Ailton Krenak e Nego Bispo, que nos lembram que tudo isto sempre existiu — só não tinha sido escrito por quem habitualmente escreve.
Como se manifesta na prática
SENTIDO
O trabalho começa antes da ação. Começa com presença, paciência e silêncio. É o silêncio que abre espaço para a confiança aparecer.
FORMA
Fotografia, vídeo, design, palavra. Às vezes cerâmica, gastronomia, qualquer coisa que faça sentido naquele contexto. As linguagens combinam-se conforme o lugar pede.
PERTENÇA
O resultado é sempre das pessoas e dos territórios. A [DLM] é instrumento — não autor. A sinfonia já existe antes de chegarmos.